Concurso Nacional de Leitura 2015/2016

Concurso Nacional de Leitura-Textos Informativos

Texto informativo sobre a vida e obra de Eça de Queirós

VIDA E OBRA DE EÇA DE QUEIRÓS

José Maria de Eça de Queirós nasceu em 25 de novembro de 1845, numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, no centro da cidade. Filho de José Maria Teixeira de Queirós e de Carolina Augusta Pereira d’Eça. O pai de Eça de Queirós, magistrado e par do reino, convivia regularmente com Camilo Castelo Branco, quando este vinha à Póvoa.

Foi internado no Colégio da Lapa, no Porto, de onde saiu em 1861, com dezasseis anos, para a Universidade de Coimbra, onde estudou Direito. Além do escritor, os pais teriam mais seis filhos. Em Coimbra, Eça foi amigo de Antero de Quental. Os seus primeiros trabalhos, publicados na revista “Gazeta de Portugal”, foram depois coligidos em livro, publicado postumamente com o título Prosas Bárbaras.

Em 1866, Eça de Queirós terminou a Licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra e passou a viver em Lisboa, exercendo a advocacia e o jornalismo. Foi diretor do periódico O Distrito de Évora e colaborou em publicações periódicas como a Renascença  (1878-1879?), A Imprensa  (1885-1891), Ribaltas e gambiarras (1881) e mais tarde fundaria a Revista de Portugal.

Em 1869 e 1870, Eça de Queirós fez uma viagem de seis semanas ao Oriente (de 23 de outubro de 1869 a 3 de janeiro de 1870), em companhia de D. Luís de Castro, 5.º conde de Resende, irmão da sua futura mulher, D. Emília de Castro, tendo assistido no Egito à inauguração do canal do Suez: Visitaram, igualmente, a Palestina. Aproveitou as notas de viagem para alguns dos seus trabalhos, o mais notável dos quais O Mistério da Estrada de Sintra, em 1870, e A Relíquia, publicado em 1887. Em 1871, foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino.

Em 1870 ingressou na Administração Pública, sendo nomeado administrador do concelho de Leiria. Foi enquanto permaneceu nesta cidade, que Eça de Queirós escreveu a sua primeira novela realista, O Crime do Padre Amaro, publicada em 1875.

Tendo ingressado na carreira diplomática, em 1873 foi nomeado cônsul de Portugal em Havana. Os anos mais produtivos de sua carreira literária foram passados em Inglaterra, entre 1874 e 1878, durante os quais exerceu o cargo em Newcastle e Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes, como A Capital,  escrito numa prosa hábil, plena de realismo. Manteve a sua atividade jornalística, publicando esporadicamente no Diário de Notícias, em Lisboa, a rubrica «Cartas de Inglaterra». Mais tarde, em 1888 seria nomeado cônsul em Paris.

O seu último livro foi A Ilustre Casa de Ramires, sobre um fidalgo do século XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza de sua linhagem. Foi também o autor da Correspondência de Fradique Mendes e A Capital, obra cuja elaboração foi concluída pelo filho e publicada, postumamente, em 1925. As suas obras foram traduzidas em aproximadamente vinte línguas.

Aos 40 anos casou com Emília de Castro, com quem teve 4 filhos: Alberto, António, José Maria e Maria. Morreu em 16 de Agosto de 1900 na sua casa de Neuilly-sur-Seine, perto de Paris. Teve funeral de Estado, foi sepultado no Cemitério dos Prazeres em Lisboa, mas mais tarde foi transladado para o cemitério de Santa Cruz do Douro em Baião.

 

 

Texto informativo sobre a vida e obra de Vergílio Ferreira

VIDA E OBRA DE VERGÍLIO FERREIRA

Vergílio Ferreira nasceu em Melo, aldeia do concelho de Gouveia, na Beira Alta, no dia 28 de janeiro de 1916, filho de António Augusto Ferreira e, de Josefa Ferreira que, em 1927, emigraram para o Canadá, em busca de uma vida melhor, ficando Vergílio com os irmãos mais novos. Esta dolorosa separação é descrita em Nítido Nulo. A neve, que virá a ser um dos elementos fundamentais do seu imaginário romanesco, é o pano de fundo da infância e adolescência passadas na zona da Serra da Estrela. Aos 12 anos, após uma peregrinação a Lourdes, entra no seminário do Fundão, que frequentará durante seis anos. Esta vivência será o tema central da obra Manhã Submersa.

Em 1936, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda. Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em Conta-Corrente e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe. Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940. Concluiu o Estágio no Liceu D. João III (1942), em Coimbra. Começa a lecionar em Faro. Publica o ensaio “Teria Camões lido Platão?” e, durante as férias, em Melo, escreve “Onde Tudo Foi Morrendo”. Em 1944, passa a lecionar no Liceu de Bragança, publica “Onde Tudo Foi Morrendo” e escreve “Vagão “J” que, publicou em 1946; no mesmo ano em que se casou, com Regina Kasprzykowsky, professora polaca que se encontrava refugiada em Portugal da guerra e, com quem Vergílio ficará até à sua morte. Após uma passagem pelo liceu de Gouveia (onde escreveu o mundialmente conhecido romance Manhã Submersa, corria o ano de 1953), fixa-se como docente em Lisboa, lecionando o resto da sua carreira no Liceu Camões.

A 3 de Setembro de 1979 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Em 1980, o realizador Lauro António adapta para o cinema, o romance Manhã Submersa e, Vergílio Ferreira interpreta um dos principais papéis, o de Reitor do Seminário, contracenando assim com outros grandes vultos da cena portuguesa, tais como: Eunice Muñoz, Canto e Castro, Jacinto Ramos e Carlos Wallenstein. Em 1992 foi eleito para a Academia das Ciências de Lisboa, no mesmo ano recebeu, pelo conjunto da obra, o “Prémio Camões”, o mais importante prémio literário dos países da língua portuguesa. Vergílio morreu no dia 1 de março de 1996, em sua casa, em Lisboa, na freguesia de Alvalade. O funeral foi realizado no cemitério de Melo, sua terra-natal e, a seu pedido, o caixão fora enterrado virado para a Serra da Estrela.