Projeto Comenius “Voices from the sea” – Irlanda e Estónia

9 de Abril de 2013

Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida

Projeto Comenius “Voices from the sea”

O Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, na sua vertente Comenius,   é inteiramente financiado pela União Europeia. Este programa tem como objetivo “contribuir para o desenvolvimento da União Europeia enquanto sociedade baseada no conhecimento, que se pretende mais qualificada, justa e competitiva, mais tolerante e com maior consciência intercultural. O programa promove e investe na mobilidade de pessoas e em parcerias e projetos de cooperação transnacional.”

Perante estes objetivos tão aliciantes, a Escola Básica e Secundária de Moimenta da Beira não podia deixar de se candidatar a um terceiro Projeto Comenius. Assim, em outubro de 2011, começou o longo processo de preparação da respetiva candidatura, tendo sido o primeiro passo o de encontrar países parceiros. Seguidamente, elaborar a caracterização da escola e da região. Depois, em conjunto com os vários países interessados, pensar no tema do projeto a desenvolver. Entre todos, optou-se pelo tema “Voices from the sea”. Trocarem-se ideias relacionadas com os trabalhos a apresentar foi a etapa seguinte. Finalmente, em fevereiro de 2012, os vários países submeteram as suas candidaturas às respetivas Agências Nacionais, as quais não se regem autonomamente. Por outras palavras, cada Agência Nacional poderia aprovar, ou não, a candidatura ao projeto. No fim de junho, algumas Agências dos países envolvidos comunicaram, oficialmente, às várias escolas candidatas, que o projeto tinha sido aprovado. A Agência Nacional Portuguesa comunicou-o à nossa Escola em meados de julho. Todas as Agências Nacionais o tinham aprovado, o que deixou os intervenientes no processo de candidatura, naturalmente, felizes. A nossa escola iria, pois, no biénio de 2012-2014, trabalhar em conjunto com escolas secundárias da Irlanda, França, Turquia, Itália, Estónia e Alemanha.

Em setembro, logo após o início das aulas, deu-se início ao processo de seleção dos alunos. Ao fim de duas semanas, tinham-se selecionado alunos dos 10º A, B e C e dos 11º A, B e D. Em reunião com todos, cada um manifestou a sua preferência relativamente ao país a visitar posteriormente.

Nas semanas seguintes, os alunos dos vários países, inclusivamente os portugueses, fizeram não só a sua apresentação no forum do projeto criado por dois professores italianos de Informática, como também forneceram vários tipos de informação relativa à sua escola. Nele, para além de se fazer o “upload” dos trabalhos desenvolvidos, tanto os alunos, como os professores  podem comunicar uns com os outros, pois é constituído por vários “threads”.

Posteriormente, foram elaborados trabalhos a apresentar na Irlanda. Estes trabalhos visavam os fluxos migratórios, por mar, das últimas três décadas.

De três a onze de novembro, um grupo de alunas (Anita Albuquerque, Carla Cachinho, Rafaela Filipe e Raquel Mateus) e algumas professoras ligadas ao projeto estiveram na Irlanda, a fim de participarem no encontro, promovido por aquele país, de professores e alunos dos países parceiros do projeto. Os trabalhos foram apresentados na escola irlandesa ”Castletroy College”, em Limerick, a uma audiência multilingue. Para além disso, em pequenos grupos constituídos por alunos de todos os países, foram apresentados provérbios relacionados com a temática do mar, nas várias línguas, e depois retrovertidos para Inglês.

Os participantes neste encontro tiveram ainda a oportunidade de visitar  Limerick, o “Bunratty Castle”, o “Folk Park”, os “Cliffs of Moher” ,  “Doolin & Lahinch” e a capital da Irlanda, Dublin.

Regressados da Irlanda, começava uma nova etapa: preparação das atividades a desenvolver na Estónia, em fevereiro. Desta vez, os alunos que iriam participar nesta mobilidade (Inês Lopes, Sara Pinheiro e Rafael Machado) prepararam um “powerpoint” sobre fluxos migratórios recuando até à Segunda Guerra Mundial. Selecionaram, também, duas canções portuguesas com temática do mar: “Noite” e “O homem do Leme”. Tiveram ainda que pesquisar  uma lenda portuguesa também relacionada com o mar – uma vez que o tema do projeto é “Voices from the sea”. A lenda escolhida foi a do Adamastor. Para além disso, a colega Fátima Leonardo e alguns alunos elaboraram um cartaz alusivo a esta lenda, o qual iria ilustrar a sua apresentação.

A mobilidade a Kadrina, na Estónia, decorreu de onze a dezoito de fevereiro. As referidas canções foram cantadas, em português, tendo sido as respetivas letras projetadas em português e, paralelamente, em inglês, visto que a assistência era multilingue. Os alunos portugueses apresentaram ainda, com desenvoltura, a lenda e o “powerpoint” referidos anteriormente. Para além disso, na escola, em pequenos grupos multinacionais, os alunos traçaram, num mapa com dimensões consideráveis, as rotas dos fluxos migratórios relativos aos seus países e, depois, perante todos, apresentaram esse trabalho efetuado previamente.

Durante os dias que envolveram esta visita à Estónia, tirando partido da neve abundante, os alunos estónios facultaram a experiência a todos os alunos visitantes, de praticarem “sledging”, “skiing” e “skating” . Todos os professores e alunos tiveram ainda a oprtunidade de conhecer a capital do país, Tallinn, assim como  o “Ice Age Centre”, em Aksi, o “Estonian National Museum”, Rakvere e o seu castelo, o “Lahemaa National Park”, Palmse e Tartu, sendo esta última uma cidade universitária e a segunda do país. Em Palmse, após visitarem a “Manor House”, todos puderam dar um passeio em trenós puxados por possantes cavalos, numa envolvência natural lindíssima. Nesta mesma localidade, foi oferecido um almoço com uma ementa medieval. Os diversos grupos puderam ainda fazer sauna, uma novidade para alguns.

Na escola de Kadrina, para além dos trabalhos apresentados e já referidos, decorreu ainda um concerto, um “fashion show” e uma festa, na qual todos os países deram a conhecer  produtos gastronómicos típicos. O grupo português apresentou cavacas de Freixinho e ovos moles de Aveiro, os quais foram muito apreciados por todos.

Uma vez que não há voos diretos para Tallinn, efetuaram-se três escalas, tanto na viagem de ida, como de regresso. Numa, na Dinamarca, mais precisamente em Copenhaga, como a escala abrangia várias horas, o grupo português não descurou a oportunidade de conhecer o centro histórico daquela cidade. No final, apesar do frio intenso, todos concordaram que tinha valido a pena, pois Copenhaga é, de facto, uma cidade muito interessante, sob diversos aspetos.

Refere-se ainda que, tanto na viagem à Irlanda, como à Estónia, os alunos tiveram, a vários níveis,  um comportamento irrepreensível.

Em abril, será a vez da nossa escola receber, com regozijo, trinta e cinco professores e alunos dos seis países parceiros. Oportunamente, dar-se-á conta desta experiência indubitavelmente interessante para todos os envolvidos.

Em conclusão, as vantagens que advêm para os alunos do seu envolvimento neste projeto são imensas, pois além de contactarem com jovens provenientes de vários países com culturas, em alguns casos, muito diferentes, enriquecendo, deste modo, as suas vivências pessoais, consolidam também o seu espírito de tolerância, precisamente devido a essa rica diversidade de culturas. Para além disso, uma vez que a língua de comunicação do projeto é a inglesa, têm ainda a oportunidade de melhorar significativamente as suas capacidades linguísticas, tanto a nível oral, como escrito, o que, obviamente, “na aldeia global” em que vivemos, se revela de crucial importância.

                                                                         A equipa do Projeto Comenius: Aida Diamantino Cardoso, Graça Coutinho Mendes, Everilde Tojal Rebelo