Clube do Desporto Escolar – Recomendação n.º 6

9 de Outubro de 2012

Estilo de Vida das Crianças Preocupa Cardiologistas

 

Alerta do Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia

O estilo de vida das crianças, nomeadamente o sedentarismo e a má alimentação, está a ser alvo de preocupação dos cardiologistas.

Todos os anos morrem em Portugal 20 mil mulheres e 16 mil homens vítimas de doenças cardiovasculares, um número que no futuro poderá disparar devido ao estilo de vida das crianças, alertou o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Manuel Carrageta.

Os cardiologistas lamentam que as brincadeiras de rua tenham sido substituídas pela televisão e jogos de computador e a alimentação saudável por restaurantes “fast-food”.

Para os especialistas, a obesidade infantil é inquietante. “A evolução das doenças cardiovasculares começa com os fatores de risco. As crianças têm um estilo de vida moderno que leva à obesidade infantil, têm o colesterol mais elevado que se vai depositar nas paredes das artérias e leva ao seu entupimento, havendo mais risco de enfarte de miocárdio e de Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, disse à agência Lusa o cardiologista, lembrando que as crianças deviam fazer uma hora de exercício físico intenso por dia.

Manuel Carrageta lembra que, habitualmente, quem tem excesso de peso tem tensão arterial e colesterol mais altos assim como tem mais tendência para se tornar diabético.

Em Portugal, quatro em cada dez óbitos têm como causa doenças cardiovasculares mas bastava controlar os principais fatores de risco para evitar a maioria destas mortes.

“Existe um mito de que as doenças do coração atingem os homens e os idosos”, disse à agência Lusa o presidente da fundação, lembrando que em Portugal a principal causa de morte das mulheres são precisamente as doenças cardiovasculares. “O coração das mulheres é frágil e vulnerável”, mas “elas têm uma falsa sensação de segurança”, acrescentou o cardiologista.

As doenças cardiovasculares são altamente evitáveis através do estilo de vida e controle dos fatores de risco, que passam por uma alimentação saudável, exercício físico e não fumar.

Lamentavelmente a escola pública caminha no sentido contrário às recomendações do Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, que for sua vez são consensuais em termos internacionais.