Clube de Desporto Escolar – Recomendação n.º 9

31 de Outubro de 2012

Cérebro é afetado pelo tipo de alimentação

 

Os processos biológicos do cérebro desempenham um papel importante em vários problemas de saúde pública, nomeadamente na diabetes, obesidade, compulsão alimentar e na tentação de ingerir alimentos calóricos, sugerem vários estudos apresentados na conferência “Neuroscience 2012”.
Vários estudos utilizaram imagens de ressonância magnética para analisar de que forma o sistema nervoso contribuía para o desenvolvimento de doenças do foro alimentar. Os especialistas foram capazes de associar os alimentos à forma como as pessoas pensam e aos temas em que pensam.
O objetivo dos estudos apresentados na conferência da Society for Neuroscience era identificar novas formas de tratar as doenças associadas à alimentação, assim como adquirir um conhecimento mais aprofundado do impacto da obesidade e da dieta na saúde física e mental.
Os estudos apuraram que a função cognitiva é afetada pela obesidade, sendo, nestes casos, necessário um maior esforço para conseguir levar a cabo uma tarefa que envolve uma tomada de decisão complexa. Foi também constatado que, quando as pessoas não tomam o pequeno-almoço, há uma região do cérebro que é ativada com a visualização de imagens de alimentos altamente calóricos. Os indivíduos que não tomam o pequeno-almoço tendem também a ingerir uma maior quantidade de alimentos durante o almoço, o que põe em causa a ideia de que o jejum é uma boa forma de controlar a dieta.
Algumas experiências realizadas em ratinhos sugeriram também que é possível que os fármacos que ajudam os toxicodependentes a controlar a sua adição possam também ser utilizados na alteração dos comportamentos alimentares compulsivos.
Outros estudos indicaram ainda que a ingestão de uma dieta rica em açúcar afeta os recetores cerebrais da insulina e debilita a aprendizagem espacial e a capacidade de memória. Contudo, este efeito pode ser, de alguma forma, compensado com o consumo de ácidos gordos ómega-3.“Estes estudos são fascinantes, pois demonstram que, apesar de o cérebro de ser muitas vezes negligenciado, tem um papel importante no desenvolvimento de várias doenças alimentares. Muitas destas descobertas poderão conduzir ao desenvolvimento de novas intervenções capazes de reduzir a obesidade e ajudar as pessoas que lutam diariamente com o tipo de alimentos que consomem”, revelou, em comunicado de imprensa, um especialista em adições e obesidade, Paul Kenny.
As conclusões dos estudos são claras  reforçam a posição do Clube de Desporto Escolar de Moimenta da Beira sobre esta temática. De nada serve os milhões de euros que são investidos na escola pública, se porventura descorarmos estas evidências científicas, provocando mais cedo ou mais tarde a duplicação do investimento por parte do mesmo ministério (insucesso escolar) ou de outros, com especial destaque para os ministérios da saúde (doença) e da segurança-social (desemprego ou reforma antecipada).