Clube de Desporto Escolar – Recomendação n.º 48

31 de Maio de 2013

Há cada vez mais «analfabetos motores» de palmo e meio

 

Crianças estão a perder destreza física e a culpa é do sedentarismo, transformado em epidemia.

Sabem andar, correr ou saltar, mas fazem-no cada vez menos. E com cada vez maior dificuldade. Isto porque as crianças portuguesas estão a tornar-se «analfabetos motores», situação que os especialistas classificam já como preocupante. Um alerta que chega no Dia Internacional do Brincar, assinalado esta quarta-feira (28) em todo o mundo.

«Grande parte dos jovens não gosta de se ‘mexer’, preferindo jogar nos computadores ou telemóveis», confirma ao Destak Artur Correia da Silva, técnico de reabilitação motora na Clínica da Mãe e da Criança. Atividades que contribuem para a crescente epidemia de obesidade infantil. Mas apesar de conscientes que a prática regular e contínua do exercício físico contribui para uma vida mais saudável, «pouco fazemos para corrigir e inverter a atual situação», acrescenta.

No dia dedicado às brincadeiras, é isso mesmo que o especialista aconselha. «Brincar é, a meu ver, um meio privilegiado de promoção do desenvolvimento pessoal, interpessoal e comunitário das crianças e jovens. E é muito mais importante, agradável e acessível levarmos as crianças ao parque, do que lhes comprar um número infindável de jogos.»

O especialista alerta ainda para o facto de ser apenas na escola que muitas crianças e jovens praticam atividade física e desportiva. «É, de facto, o único momento que esses jovens têm, nos dias de hoje, para se poderem expressar e evoluir em termos motores, condição importantíssima para o desenvolvimento. Mas, paradoxalmente, temos vindo a assistir a uma progressiva desvalorização desta área pedagógica. O que me parece ser muito preocupante.»

O papel dos pais

Como «um dos vértices do triângulo educativo», cabe aos pais um papel importante, quanto mais não seja o do exemplo. «Brinquem mais com os filhos. É que não estão a perder tempo… Brincar é gerador de melhores relações, mais saudáveis e abertas.»

Notícia publicada no Jornal Destak | Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt