Clube de Desporto Escolar – Recomendaç​ão n.º 15

24 de Novembro de 2012

Obesidade infantil e a pressão arterial elevada

   Uma em cada três crianças obesas tem pressão arterial elevada, segundo um estudo que acompanhou, durante oito anos, cerca de meio milhar de crianças.

    A responsável pela primeira consulta de obesidade infantil no país, Carla Rêgo, acompanhou 563 crianças e adolescentes, entre os 2 e os 18 anos, que frequentavam a consulta de obesidade infantil no serviço de pediatria do Hospital de São João, no Porto.

    A pediatra confirmou que mais de metade das crianças e jovens com excesso de peso vai continuar a sê-lo na idade adulta. Caso esta situação não seja revertida, Carla Rêgo acredita que as crianças poderão morrer antes dos seus próprios pais. A investigadora revelou à agência Lusa que em 32% dos casos, as crianças e adolescentes, “só pelo facto de serem obesas, apresentavam hipertensão arterial sistólica”. Acrescentando que estes valores estão próximos da prevalência da doença na população adulta portuguesa, que chega quase aos 40%.

    Carla Rêgo recorda que a obesidade infantil está associada, desde cedo, a vários problemas, como doenças ortopédicas, psicológicas ou hormonais. A especialista destaca, no entanto, três fatores de risco cardiometabólico: as alterações do perfil lipídico, da pressão arterial e do metabolismo da glicose e da insulina, com o risco de desenvolver diabetes. “As crianças diagnosticadas com estes problemas têm maiores probabilidades de ter doença cardiovascular precoce, quando comparados aos que nunca foram obesos”, refere a especialista.

    Para a pediatra o ideal é começar a prevenção da obesidade na gravidez. A mulher deve ter cuidado com o peso antes de engravidar e deve evitar um aumento excessivo de peso durante a gestação. A velocidade de crescimento do bebé também deve ser monitorizada, dado que um rápido aumento de peso nos primeiros anos de vida aumenta as probabilidades da obesidade aos seis anos.

    O estudo mostra também que os mais pequenos são os mais obesos, o que faz pensar que a obesidade está a começar cada vez mais cedo nas crianças portuguesas. “As crianças que começam a obesidade nas idades mais precoces, aos um ou dois anos de idade, são as que apresentam maior magnitude de obesidade e maior gordura intra-abdominal, sugerindo maior risco de desenvolver as complicações cardiometabólicas”, lembra. A investigadora desconstrói o mito que desvaloriza o excesso de peso nos bebés: “Quando a obesidade começa cedo e particularmente quando se mantém na infância e chega à adolescência, a probabilidade de se resolver com o crescimento é pequena”.