Acesso ao Ensino Superior (Balanço)

21 de Setembro de 2012

Artigo da autoria do Diretor do AEMB, Alcides Sarmento, publicado na edição, de 14 de setembro de 2012, do Jornal Beirão:

 

Os jovens e o futuro: a propósito dos nossos alunos que entraram no ensino superior

Todos os alunos da nossa Escola Secundária que se candidataram ao ensino superior obtiveram colocação, num total de 62 alunos. Embora nas estatísticas do Ministério apareçam 95%, efetivamente os não colocados (apenas três) já se encontram a frequentar aquele grau de ensino e efetuaram nova candidatura a um curso ou escola diferente.

Destes, 60% obtiveram colocação na primeira opção, 21% na segunda, 11% na terceira e só 8% na quarta opção. Gostava de destacar dois aspectos que me chamaram à atenção, mesmo sem serem propriamente surpreendentes: as áreas científicas escolhidas e as universidades e politécnicos objecto da sua preferência.

A área da saúde é indiscutivelmente a preferida: enfermagem, ciências farmacêuticas, cardiopneumologia, radiologia, engenharia biomédica e medicina, com dois alunos, são alguns dos cursos escolhidos. As engenharias são provavelmente a segunda área preferida, o que demonstra que os nossos alunos escolhem as áreas de maior empregabilidade potencial e não vão para o ensino superior somente para obter um curso, antes preparam o seu percurso com objetivos definidos.

As universidades e politécnicos da região centro são os mais procurados.

Os institutos politécnicos de Viseu, Coimbra, Guarda e mesmo Castelo Branco são os preferidos. Nas universidades ganha Coimbra na preferência dos nossos estudantes, bem como Aveiro, a Covilhã e Lisboa, mais do que o Porto ou Vila Real estando mais próximas geograficamente. Um único aluno escolheu a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro em Vila Real, a provar aquilo que penso e defendo há ano: sempre que podemos e nos deixam caminhamos para sul, na direção de Viseu e Coimbra, nunca na direção de Vila Real ou mesmo do Porto.

Agora o futuro: preocupa-me o futuro destes jovens que cumpriram esta etapa importantíssima das suas vidas. Porque é hoje óbvio que nunca formamos tantos jovens, nunca se investiu tanto na sua formação, o Estado e as famílias, mas o horizonte cerrado do País empurra-os para fora, como na geração dos avós. Ao contrário do passado, em que se trabalhava para os vindouros, arriscamo-nos hoje a comprometer as gerações futuras. É verdade que os jovens são sempre bem aventurados, mesmo quando herdam a dívida pública, como dizia um economista célebre, mas os jovens de hoje correm o risco, não de herdar a dívida, mas a falência pública. Mas confio na bem aventurança de ser jovem e acredito nestes jovens!”